Empresas estão revendo prioridades digitais em 2026

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez
Rolando Bonaccorsi

Rolando Bonaccorsi, líder em IA e ciência de dados aplicadas a negócios e operações, analisa que a transformação digital continua ocupando espaço nas estratégias empresariais, mas a forma como os investimentos são conduzidos mudou de maneira significativa em 2026. Depois de um período marcado pela adoção acelerada de novas tecnologias, muitas organizações passaram a reavaliar prioridades, buscando projetos que entreguem resultados concretos e contribuam diretamente para a eficiência operacional. A inovação continua sendo importante, porém deixou de ser medida apenas pela quantidade de ferramentas implementadas.

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O que motivou essa mudança de estratégia?

Nos últimos anos, muitas empresas aceleraram investimentos para acompanhar o avanço da inteligência artificial, da automação e da transformação digital. Em diversos casos, a velocidade de implementação foi maior do que a capacidade de reorganizar processos internos, o que resultou em projetos com baixo aproveitamento ou dificuldades para gerar os benefícios esperados. Esse movimento revelou que a adoção tecnológica precisa estar acompanhada de planejamento, revisão de processos e alinhamento com os objetivos estratégicos do negócio.

De acordo com Rolando Bonaccorsi, esse cenário levou muitas organizações a adotar uma postura mais seletiva. Antes de incorporar novas tecnologias, tornou-se essencial avaliar se a estrutura existente está preparada para absorver essas mudanças. Qualidade dos dados, integração entre sistemas e maturidade operacional passaram a influenciar diretamente as decisões sobre novos investimentos, reduzindo iniciativas motivadas apenas pelo entusiasmo em torno das tendências do mercado. A análise criteriosa permite direcionar recursos para soluções que realmente contribuam para ganhos de produtividade e melhoria dos resultados.

Outro fator importante foi a necessidade de otimizar recursos. O ambiente econômico mais competitivo aumentou a pressão por eficiência operacional, levando gestores a priorizar projetos capazes de reduzir custos, aumentar produtividade e melhorar a experiência dos clientes. A tecnologia permanece como elemento estratégico, mas agora precisa demonstrar valor de forma mais objetiva. Essa mudança de comportamento indica uma fase mais madura da transformação digital, na qual resultados mensuráveis passam a orientar as escolhas tecnológicas das empresas.

Quais áreas ganharam mais importância?

A inteligência artificial continua entre as prioridades, porém sua aplicação tornou-se mais direcionada. Em vez de desenvolver projetos isolados, as empresas passaram a buscar soluções integradas aos processos de negócios, capazes de apoiar decisões, automatizar atividades repetitivas e ampliar a capacidade analítica das equipes. A IA aplicada deixa de representar apenas inovação e passa a atuar como instrumento para ganhos operacionais.

A gestão de operações também ganhou protagonismo. Ferramentas de observabilidade, AIOps, analytics e ciência de dados vêm sendo utilizadas para monitorar ambientes complexos, antecipar incidentes e melhorar a disponibilidade dos serviços. Segundo Rolando Bonaccorsi, esse movimento demonstra que eficiência operacional e continuidade dos negócios tornaram-se componentes essenciais das estratégias digitais.

Como a liderança deve responder a esse novo cenário?

A revisão das prioridades digitais exige uma atuação mais estratégica das lideranças. Gestores precisam avaliar não apenas quais tecnologias serão incorporadas, mas também como elas contribuirão para os objetivos da organização. Essa visão amplia o papel da gestão, aproximando decisões tecnológicas das necessidades reais do negócio. Com isso, a tecnologia deixa de ser tratada apenas como uma ferramenta operacional e passa a assumir uma função relevante na construção de vantagens competitivas.

Outro desafio envolve preparar as equipes para trabalhar em ambientes cada vez mais orientados por dados. Rolando Bonaccorsi destaca que o desenvolvimento de competências relacionadas à inteligência artificial, automação e análise de informações torna-se parte da estratégia de crescimento das empresas. Ao mesmo tempo, habilidades como pensamento crítico, colaboração e capacidade de adaptação continuam sendo fundamentais para transformar tecnologia em resultados. A combinação entre conhecimento técnico e capacidade humana de interpretação será cada vez mais importante em ambientes corporativos marcados por mudanças constantes.

Também cresce a importância de acompanhar continuamente os impactos das iniciativas digitais. Monitorar indicadores de desempenho, revisar processos e ajustar estratégias permite que a transformação digital permaneça alinhada às mudanças do mercado. Organizações que adotam essa postura conseguem evoluir de forma mais consistente e aproveitam melhor as oportunidades criadas pelas novas tecnologias. Esse acompanhamento contínuo também reduz desperdícios, aumenta a eficiência operacional e fortalece a capacidade de adaptação diante de novos desafios.

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