A Cooperativa Pindorama, instalada em Coruripe, no litoral sul de Alagoas, recebeu o primeiro projeto de transformação digital voltado a uma indústria do estado. A iniciativa faz parte do programa NE 4.0, ligado aos Núcleos da Nova Indústria Brasil, e prevê o uso integrado de inteligência artificial, sensores e tecnologia de gêmeo digital para acompanhar a operação da unidade.
Chamado SIOB-Flex, o projeto foi apresentado como uma ferramenta para reunir dados e processos industriais em uma representação virtual da planta. Na prática, o modelo digital deverá permitir a visualização do funcionamento da operação, a análise das informações coletadas e a simulação de diferentes cenários produtivos antes de eventuais mudanças no ambiente físico.
A entrega foi divulgada pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em 21 de setembro de 2026. A página foi atualizada em 26 de outubro. O projeto ainda representa uma etapa de implantação tecnológica, e não a conclusão de uma transformação integral na fábrica.
Como o gêmeo digital será usado
O gêmeo digital é uma representação virtual de uma operação real. Para funcionar, o sistema depende de dados obtidos por sensores e de recursos capazes de organizar, interpretar e relacionar essas informações. No caso da Cooperativa Pindorama, a proposta é utilizar a tecnologia para acompanhar processos industriais e testar virtualmente diferentes condições de produção.
Essa combinação pode apoiar a leitura do que ocorre na planta e oferecer uma base para decisões operacionais. Em vez de observar os equipamentos e processos de forma isolada, a indústria passa a contar com uma visão integrada dos dados disponíveis. A inteligência artificial prevista no SIOB-Flex deverá atuar nesse ambiente de análise, dentro do escopo definido pelo projeto.
O objetivo anunciado não é substituir a operação física por uma estrutura virtual, mas conectar o funcionamento da unidade a um modelo digital capaz de representar seus processos. A simulação também pode ajudar a avaliar mudanças sem que todos os testes precisem ser realizados diretamente na linha produtiva. A aplicação concreta dependerá da implantação do sistema e da integração entre os dados da cooperativa.
Aplicação em uma indústria do Nordeste
A Cooperativa Pindorama trabalha com cana-de-açúcar, milho e sorgo, matérias-primas que fazem parte de suas atividades industriais. A escolha da unidade coloca a agenda de digitalização em uma operação localizada fora dos principais polos industriais do país e mostra a intenção de levar ferramentas da Indústria 4.0 a empresas do Nordeste.
O caso também evidencia que a transformação digital pode envolver diferentes perfis industriais. Tecnologias como sensores, inteligência artificial e simulação virtual não estão restritas a fábricas de grande concentração tecnológica. Quando associadas a uma operação específica, elas podem ser estruturadas para organizar dados, acompanhar processos e apoiar o planejamento da produção.
Segundo a Sudene, o programa NE 4.0 busca aproximar empresas, universidades e instituições de ciência, tecnologia e inovação. Essa conexão é relevante porque projetos de digitalização exigem tanto soluções técnicas quanto conhecimento sobre os processos industriais que serão monitorados. A participação dessas instituições deve contribuir para adaptar a tecnologia às necessidades da unidade atendida.
Próximas etapas do programa
O projeto da Cooperativa Pindorama é o primeiro de uma sequência prevista para Alagoas. O programa deverá selecionar outras duas empresas do estado para receber iniciativas de transformação digital. A expansão amplia o alcance da experiência e cria a possibilidade de aplicação das ferramentas em diferentes operações industriais.
Também estão previstas turmas de residência tecnológica em Indústria 4.0 no segundo semestre de 2026. A proposta reforça a dimensão de formação e integração do NE 4.0, ao aproximar profissionais, empresas e instituições que atuam com tecnologia industrial. O programa, portanto, combina a aplicação prática em fábricas com a construção de conhecimento especializado na região.
Para a indústria alagoana, o SIOB-Flex representa uma porta de entrada para o uso estruturado de dados no ambiente produtivo. A relevância do projeto estará na capacidade de transformar informações dos processos em apoio à operação e à análise de cenários. A experiência da Cooperativa Pindorama será acompanhada como parte de uma agenda mais ampla de modernização industrial no Nordeste.