InícioBrasilAdoção do bitcoin como moeda nacional em El Salvador divide opiniões

Adoção do bitcoin como moeda nacional em El Salvador divide opiniões

El Salvador adotou, oficialmente, o bitcoin como moeda nacional. Segundo o presidente Nayib Bukele, a adoção vai ajudar a população a economizar 600 milhões de dólares por ano em remessas ao exterior. Ele também destacou que mesmo pessoas que não possuem conta bancária vão poder ter acesso a serviços financeiros. No entanto, mesmo com as justificativas positivas, a medida tem enfrentado grande resistência por parte da população, que se mobilizaram em protestos contra a mudança. Os salvadorenhos alegam que nem todo mundo tem acesso à internet e que o bitcoin é uma moeda muito volátil. Com a novidade no país, outras nações como Panamá, Cuba e Ucrânia também já manifestaram interesse em adotar a moeda digital como dinheiro oficial, mas o assunto é controverso e divide opiniões. Alguns especialistas acreditam que o uso do bitcoin é uma boa forma de auxiliar países que não têm controle sobre a inflação. Outros dizem que a mudança pode trazer grande instabilidade econômica.

O especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move, Tasso Lago, afirma que a adoção do bitcoin é uma forma de descentralizar o poder econômico. Ele acredita que vários países vão começar a adotar a moeda digital. “Países que têm um histórico de inflação que dá problema, o bitcoin é uma alternativa de você ter o seu dinheiro preservador, por isso ele tem essa noção de reserva de valor. El Salvador adotou com essa premissa de proteger capital, de maior estabilidade para a economia e maior integração econômica”, afirmou. No entanto, o bitcoin pode facilitar golpes. Segundo um levantamento da Comissão de Valores Mobiliários 43% dos esquemas de pirâmide financeira é feito com o ativo. Tasso ressalta a importância de ficar atento. “As pirâmides financeiras são os golpes que temos visto no mercado onde pessoas prometem rendimentos. Não é possível prometer rendimento, não existe nenhum mercado 10% ao mês, 5% ao mês”, disse.

O economista Miguel Daoud também alerta para possibilidade do bitcoin facilitar corrupção e lavagem de dinheiro. Para ele, El Salvador não tomou a decisão certa. “A probabilidade é muito pequena de dar certo, porque é uma moeda especulativa, poucos têm acesso. É uma moeda que não é regulamentada, usada por dinheiro sujo. […] É diferente das moedas digitais que estão sendo criadas pelos bancos centrais de todo o mundo, inclusive no Brasil está se pensando, essa moeda está lastreada dentro de uma política monetária, onde a sua expansão estaria controlada para não aumentar a quantidade de moeda e causar inflação no país”, pontuou. O bitcoin surgiu em 2009 e não tem a mesma formação das outras moedas, pois é criado a partir de um sistema digital. As outras moedas, são criadas a partir da geração de riqueza, ou seja; por meio da mão de obra e da matéria-prima, que resultam em um determinado produtor.

*Com informações da repórter Camila Yunes

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