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Ana Paula: Mandetta mostra viés político em CPI ao falar que Covid-19 foi trazida pelos ricos

A CPI da Covid-19 no Senado ouve em posição de testemunha nesta terça-feira, 4, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. A cada integrante da Casa, foram dados cinco minutos para questionar o ministro, que teve cinco minutos para responder. Esta é a primeira reunião da comissão para ouvir os convocados. Nesta quarta-feira, 5, o ex-ministro Eduardo Pazuello seria ouvido, mas ele alegou que não poderia comparecer à audiência por suspeita de contaminação pelo novo coronavírus. Nelson Teich, que seria ouvido nesta terça após Mandetta, deve falar na quarta. Na quinta-feira, 6, serão ouvidos o atual ministro Marcelo Queiroga e o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres. A sessão desta terça foi usada por Mandetta como uma forma de desgastar politicamente Jair Bolsonaro. O ex-ministro se colocou como porta-voz da ciência e procurou transferir culpas para o presidente e para outras autoridades internacionais, até mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Todas as recomendações, as fiz com base na ciência, vida e proteção; as fiz em público em todas as minhas manifestações de orientação dos boletins”, afirmou. Questionado por Renan Calheiros sobre se ele discorda de posição em relação ao presidente Jair Bolsonaro Mandetta foi taxativo ao falar que sim. “Eu sou médico, senador. Naquele momento ali era uma decisão de, fiz aqui no início, o presidente falou que a testemunha tem que falar a verdade. Jurei na minha formatura, mas ali era um momento republicano”, afirmou. O ex-ministro também ressaltou que nunca teve qualquer discussão com o presidente e deu a entender que Bolsonaro se consultava com outros assessores. “Do ministério da Saúde nunca houve nenhum assessoramento naquele sentido, de embasar aquelas medidas. Pelo contrário: era muito constrangedor para um ministro da Saúde poder ficar explicando se nós estamos indo por um caminho e o presidente indo por outro”, pontuou. Mandetta citou uma campanha feita em 2020 da vacina da gripe para exemplificar que a vacinação no Brasil poderia ser acelerada e disse que o SUS é o melhor sistema para aplicar vacinas.

A comentarista do programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, Ana Paula Henkel, acredita que no momento em que Mandetta diz ser “médico” ele se coloca em um “pedestal” no qual não pode ser questionado. “A gente tem que lembrar que Mandetta seguiu de uma maneira praticamente sem mudar uma vírgula as instruções da OMS, que vem errando de uma maneira consistente dentro dessa pandemia”, afirmou. Ela questionou qual é a forma correta de conduzir uma pandemia totalmente nova à qual ele se referiu na sua fala já que até o momento a comunidade científica não desenvolveu unanimidade de opinião sobre como lidar com a crise da Covid e afirmou que há na fala de Mandetta um viés de palanque político e panfletagem barata ao falar que esta foi uma doença trazida pelos ricos ao Brasil. “É uma bobagem tão grande colocar uma frase solta dessas exatamente para pagar aquele pedágio ideológico que ele necessita para uma oposição que continua sedenta dentro dessa pandemia para usar esse tipo de evento como uma arma política”, disse.

Confira o programa “Os Pingos Nos Is” desta terça-feira, 4, na íntegra:

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