Início Brasil Criado no Brasil, capacete de ventilação impede intubação de pacientes

Criado no Brasil, capacete de ventilação impede intubação de pacientes

Morador de São Jorge do Oeste, no Paraná, Miguel Dresch, de 65 anos, ficou internado durante 28 dias com a Covid-19. Ele conta que nos primeiros dias sentiu cansaço e falta de ar, com agravamento da doença após o 12º dia. A primeira tomografia mostrou que 25% do pulmão estava comprometido, mas 10 dias depois que ele foi internado, novos exames mostraram que 50% do órgão estava danificado. Miguel fez o uso do capacete de ventilação, também chamado de Bolha de Respiração Individual Controlada (Bric), e fala sobre a sua experiência. “A prova foi que a Bric me ajudou porque foi a única foi que eu fiz. A Bric me livrou do tubo”, afirma. Como a importação é muito cara, a bolha de Respiração Individual Controlada foi desenvolvida por três empresas brasileiras e teve a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado.

Um dos idealizadores do aparelho, o diretor-geral da Life Tech Engenharia Hospitalar Guilherme Thiago de Souza, conta que a empresa doou unidades da Bric para estudos no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e para o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Percebendo a eficiência e que teríamos uma capacidade produtiva de ajudar muitas pessoas, a partir daí começou o desenvolvimento do projeto, foi vertiginoso, foram cerca de com 40 dias até o primeiro protótipo e 60 dias até termos a fábrica pronta com quantidade considerável.”

O pneumologista e diretor da UTI Respiratória do InCor, Carlos Carvalho, relata que o aparelho evita que os pacientes sejam intubados. “O paciente, colocando esse capacete, ele veda na região do pescoço e é como se fosse uma bolha de ar e ele fica respirando dentro dessa bolha. Por meio do ventilador mecânico eu pressurizo o ar lá dentro e acabo pressurizando os pulmões e com isso melhoro as trocas gasosas. É uma técnica de fazer um tipo de ventilação mecânica, mas sem precisar do tubo, com o paciente acordado e consciente”, disse. O capacete está presente em mais de 15 estados e em 100 hospitais no Brasil. Até o momento, já foram mais de 2.500 capacetes vendidos.

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