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Crise hídrica é mais grave do que em 2001; entenda como o problema afeta a economia

No caminho da recuperação da economia devido aos efeitos da Covid-19 existe uma pedra. E, como naquele famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, a crise hídrica é um obstáculo para o país voltar a criar empregos e renda na medida que precisa. A crise é resultado da falta de chuvas, que reduz os reservatórios das usinas hidrelétricas, que são a principal fonte de energia elétrica no país, respondendo por 60% da energia consumida. A seca tem o poder de afetar todos os serviços que dependem de água para acontecer, como o agronegócio, que deve ter uma queda de 2,6% para 1,7% no crescimento, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Além disso, a seca também eleva os custos de energia para a indústria. Apenas de janeiro a julho desse ano, a inflação no setor já passa de 20%.

Os insumos para produzir também sofrem alta, o que afeta o consumo das famílias, já que eleva a inflação em geral. Um estudo da gestora RPS Capital aponta que o efeito no ano deverá ser de 1% nos aumentos de preços como um todo. Em doze meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, já bate em 14%, segundo números divulgados na semana passada. O aumento de energia é bem maior, passando dos 16%. Antes da crise hídrica piorar, no primeiro semestre, o consumo das famílias já vinha estagnado, e a aceleração da inflação pode piorar esse quadro. O grande risco é repetir 2001. Quase vinte anos atrás, outra seca derrubou a recuperação da economia, que vinha com problemas desde o ano anterior. Naquela época, a população foi obrigada a cortar o consumo de energia em 20% e, como consequência, a economia só começou a se recuperar no ano seguinte. O problema é que hoje a crise é mais grave. Vinte anos atrás, o nível dos reservatórios estava em 23% do normal. Atualmente, se encontra em 22%, e as projeções são de que em novembro deve atingir 10%. Em resumo, a seca é uma pedra no caminho. Uma grande pedra que precisamos torcer que venha a sair da frente com o aumento das chuvas. Mas que preocupa, e muito.

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