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Governo Bolsonaro prepara estratégia de defesa contra 23 acusações na CPI da Covid-19

Enquanto a CPI da Covid-19 não é instalada no Senado, o governo do presidente Jair Bolsonaro prepara sua estratégia de defesa contra 23 possíveis acusações relacionadas à atuação do Executivo federal no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Uma tabela elaborada pela Casa Civil foi encaminhada por e-mail a 13 ministérios, que deveriam levantar informações, elaborar respostas sobre os tópicos e encaminhá-las à pasta comandada pelo general Luiz Eduardo Ramos até a sexta-feira, 23. A instalação da comissão ocorrerá na manhã desta terça-feira, 27 – nesta primeira sessão, serão escolhidos o presidente, o vice-presidente e o relator do colegiado. Um acordo costurado pela maioria dos integrantes prevê que os postos sejam ocupados, respectivamente, pelos senadores Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL).

A planilha elaborada pela Casa Civil, inicialmente revelada pelo UOL, foi obtida pela Jovem Pan. No documento, o governo lista 23 afirmações, entre elas: “O governo foi negligente com processo de aquisição e desacreditou a eficácia da CoronaVac (que atualmente se encontra no PNI”; “o governo minimizou a gravidade da pandemia (negacionismo)”; “o governo não incentivou a adoção de medidas restritivas”; “o governo promoveu tratamento precoce sem evidências científicas comprovadas”; “o governo retardou e negligenciou o enfrentamento à crise no Amazonas”; “o governo não coordenou o enfrentamento à pandemia em âmbito nacional”; “o governo entregou a gestão do Ministério da Saúde, durante a crise, a gestores não especializados (militarização do MS)”; “o presidente Bolsonaro pressionou Mandetta e Teich para obrigá-los a defender o uso da hidroxicloroquina”; “o governo federal recusou 70 milhões de doses da vacina da Pfizer”; e “o governo federal fabricou e disseminou fake news sobre a pandemia por intermédio do seu gabinete do ódio”.

Considerando a composição da CPI da Covid-19, o governo Bolsonaro tem minoria. Dos 11 integrantes, apenas quatro são aliados: Ciro Nogueira (PP-PI), Jorginho Mello (PL-SC), Marcos Rogério (DEM-RO) e Eduardo Girão (Podemos-CE). Outros cinco parlamentares são considerados independentes, casos de Omar Aziz (PSD-AM), Otto Alencar (PSD-BA), Eduardo Braga (MDB-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). A oposição, por sua vez, conta com os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE). Autor do requerimento para criação da comissão, Rodrigues foi ao Twitter comentar a elaboração da planilha. “O governo sabe quais foram suas práticas criminosas na pandemia. A lista elaborada pela própria Casa Civil, aponta alguns dos crimes a serem investigados pela CPI da Pandemia. Um governo que planeja e trabalha em sua defesa mas se omitiu na defesa da vida do povo”, afirmou.

 

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