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Grupo se esforça para convencer presidente Bolsonaro a se vacinar

“Vou me vacinar, só não vou aplicar agora”, diria o presidente Jair Bolsonaro aos que insistem que ele deve dar o braço para a picada. O ministro-chefe da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos, confessou em conversa privada – e depois vazada – que se vacinou “às escondidas” e que faz parte de um grupo que tenta levar o presidente para dar um exemplo nacional de crença na vacina. É verdade, amigos e parentes do presidente tentam convencê-lo, mas até agora sem sucesso. Eu ouvi do filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro, que o presidente está resistente. “Ele é muito difícil de ser convencido, quando põe uma coisa na cabeça, não muda fácil”, disse o deputado. Admitiu também que este grupo, ao qual o ministro Ramos faz parte, avalia também o perigo do presidente receber a dose e depois se contaminar, passando uma péssima mensagem para os brasileiros. Um aliado disse que o presidente é tão cheio de ideias próprias que “dá vontade de dizer o contrário, para ele decidir se vacinar. Ele é um contestador”. 

Em pelo menos três oportunidades foram organizados momentos para a vacinação do presidente. Uma delas, aqui em Brasília, tudo chegou a ser programado para o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, aplicar a vacina no presidente. Na última hora ele recuou e continua sem decidir o momento, mas dizem os parentes e aliados que haverá a vacinação e a foto do presidente tendo o braço espetado. O governo já se decidiu pelo apoio total ao processo de imunização. Havia desconfiança no início da pandemia. O ex-ministro do Tribunal de Contas da União, Múcio Monteiro, em encontro com o presidente Bolsonaro, sugeriu que a cloroquina e o tratamento precoce dividiram o país, mas aquele momento seria a fase de união nacional em torno da vacina. O presidente ouviu, passou a mão pelos cabelos e mostrou desconfiança. “Precisamos ver isso aí”, respondeu com impaciência. Só que agora o momento é outro e o governo adotou mesmo a vacinação como única porta de saída. 

O presidente já ironizou a vacinação e chegou a insinuar que quem se vacinasse poderia se transformar em jacaré.  Era um momento inicial de pesquisa e a Anvisa não havia aprovado nenhum projeto. Foi exatamente neste processo que o Brasil perdeu a oportunidade de fechar a compra de doses com os laboratórios. Só que era tudo no início e mais de 100 projetos ofereciam a venda, sem ter mesmo um produto pronto. As leis por aqui não admitiam a compra do que não existe e muito menos pagamento adiantado. No caso da Pfizer, a situação era mais complicada. Um contrato padrão da empresa, que acabou aceito em vários países, é muito exigente. Livra o laboratório de quaisquer efeitos colaterais futuros e todos os processos necessariamente terão que ser julgados nos Estados Unidos, em Nova Iorque. Foi preciso aprovar uma lei no Congresso para viabilizar a compra, mas o mercado já estava tomado e não havia doses à disposição.

Pode ser que o presidente Jair Bolsonaro já esteja planejando a vacinação “escondido”, como o ministro Luiz Eduardo Ramos. O grupo continua insistindo e quer o presidente dando o braço para a agulha de forma pública ou, no mínimo, com filme e testemunhas. Como tudo que envolve o presidente é notícia e ele faz mistério, pode ser que apenas apareça vacinado. Foi assim quando questionaram o resultado do teste do presidente sobre o novo coronavírus. Ele fez mistério e depois revelou que o resultado foi negativo. Veículos chegaram a ir ao Supremo para obrigar o presidente a divulgar o exame. Agora o mistério da vez é a vacinação do presidente. Ele vai se vacinar, me garantem, mas ninguém sabe quando e onde será o ato.

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