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Milton Ribeiro deveria pedir perdão a Deus por suas falas sobre separar crianças com deficiência nas escolas

Alas do governo estão pedindo a cabeça do ministro da Educação, Milton Ribeiro. Suas declarações não têm agradado. Está completamente distante da realidade da educação no Brasil. Melhor dizendo, o ministro-pastor não é do ramo, como se dizia antigamente. Quem ainda está segurando o ministro no seu cargo é o presidente Bolsonaro, de quem ele é um servil. Bolsonaro nunca escondeu de ninguém que tem muita simpatia pelo ministro. Além disso, até os críticos mais ferozes admitem que não dá para trocar o ministro agora. Vejam que coisa: quem mais se aborrece com a figura do ministro Milton Ribeiro é a primeira-dama Michele Bolsonaro, que tem no seu roteiro de vida a defesa das pessoas deficientes. O ministro é visto com grande antipatia por grande parte do governo. E tudo foi para o vinagre de vez quando o ministro começou a falar de resultados na sua pasta, que são nenhum. O ministro Milton Ribeiro insiste na ideia de separar os alunos deficientes dos demais estudantes nas escolas. Um absurdo, mas ele insiste. Uma ideia declaradamente nazista. Em entrevista na TV Brasil, do governo, o ministro servil afirmou que os alunos com deficiência atrapalham e criam dificuldades na sala de aula. Sim, é o que diz o ministro da Educação da República Federativa do Brasil. Quando percebeu a ofensa e o insulto ao país, o Ministério da Educação divulgou uma nota pedindo desculpas. Uma nota assinada pela assessoria de imprensa, não por ele. Mas não tem desculpa, pelo menos de minha parte, mesmo sendo eu um cidadão de quinta categoria. Não tem desculpa. O senhor disse exatamente o que pensa.

Em uma reunião fechada na Câmara dos Deputados divulgada somente agora, o ministro teve de explicar sua ideia por mais de três horas e não convenceu ninguém, tal seu disparate. Essa reunião transcorreu em clima de total constrangimento. E o ministro Milton Ribeiro repetiu seu pedido de desculpas. O encontro na Câmara foi acompanhado por membros das três comissões da Casa: Educação, Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas Deficientes. O ministro tentou se explicar, mas só se atrapalhou mais em discutir o assunto. No final, o clima era de perplexidade. A senadora Mara Gabrilli (PSDB) e o senador Paulo Paim (PT), apresentaram requerimento à Mesa do Senado para ouvir o ministro sobre a mesma questão. A Comissão de Educação do Senado aprovou o requerimento. Terá de explicar especialmente a frase marcante do ministro, que é a seguinte: “Crianças com deficiência atrapalham os colegas de classe”. Milton Ribeiro deixou claro que é contra o “inclusivismo”. Quer dizer: os alunos com deficiência têm mesmo que ficar em sala separada, o que vem sendo considerado discriminatório e um retrocesso na política de inclusão, porque abre uma brecha para que as escolas passem a não aceitar a matrícula de alunos com esse perfil. Numa entrevista no Rio de Janeiro na semana passada, o ministro tentou explicar o que vem dizendo, mas acabou sendo vencido por uma saraivada de críticas contundentes de entidades de direitos de crianças com deficiência. Tem de ser assim mesmo.

Como cidadão, eu não desculpo. Vá andar com sua turma obscurantista, ministro. Também negacionista, deixe o país em paz. Numa outra nota, o Ministério da Educação informou que a nova política adotada pelo governo federal amplia os direitos, opções e o respeito à escolha das famílias que são as únicas conhecedoras de suas realidades. A nota observou, ainda, que a medida de colocar alunos com deficiência em classes específicas não é impositiva e está suspensa sendo analisada pelo Supremo Tribunal Federal. Essa nova política foi instituída por decreto do presidente Jair Bolsonaro em 2020, determinando a separação dos estudantes com e sem deficiência. Alguns meses depois, o STF suspendeu a medida por 9 votos a 2. Mas o ministro-pastor Milton Ribeiro continua com essa conversa. No fundo, é uma maneira de exclusão dos deficientes. Uma vergonha. 

A nota do MEC reiterou que o ministro da Educação já pediu desculpas publicamente, reafirmando seu compromisso com o desenvolvimento de políticas públicas que contemplem de fato as necessidades das modalidades especializadas. Que bonito, ministro. Estamos falando de humanismo. Chega dessa conversa tecnocrata de resolver tudo ao bel prazer de governantes insensíveis à dor das pessoas jogadas à margem como um objeto qualquer. Eu não desculpo nada, senhor ministro Milton Ribeiro. Essa política é uma ordem nazista, não há outra maneira de entender tamanha falta de respeito com as famílias brasileiras. Falta de respeito com a vida. Afinal, senhor ministro da Educação, o que o senhor pretende para a área do ensino? Como a saúde, esse setor está num segundo plano. Ministro, em vez de pedir desculpas aos brasileiros, sendo um pastor, peça perdão a Deus. Quem sabe Ele perdoa.

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