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‘O senhor pode não ter prevaricado, mas alguém prevaricou’, diz Aziz a Rosário

Mesmo depois de um intervalo de quase uma hora, os ânimos voltaram exaltados na sessão destinada ao depoimento de Wagner Rosário, ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), na CPI da Covid-19. A cúpula da comissão voltou a perguntar ao servidor quais providências foram adotadas pelo órgão no caso da “arquitetura da fraude” a uma licitação do Ministério da Saúde para a compra de testes de detecção do novo coronavírus. Os senadores tentam esclarecer se houve omissão do titular da CGU na apuração dos fatos.

Em sua exposição inicial, logo no início da sessão, Rosário disse que não prevaricou e apresentou um cronograma das ações da CGU, que segundo ele, reforçam que a pasta tomou todas as medidas possíveis – na semana passada, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), disse que o titular da Controladoria-Geral era “um prevaricador”. Diante da afirmação do depoente, Aziz e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente do colegiado, perguntaram por que o então diretor de Logística da Saúde, Roberto Ferreira Dias, não foi afastado se, segundo mensagens encontradas no telefone celular do lobista Marconny Albernaz de Faria e enviadas à comissão pelo Ministério Público Federal do Pará, ele aparece como um dos personagens envolvidos no passo-a-passo elaborado por diretores da Precisa Medicamentos para fraudar a licitação em curso. A Operação Hospedeiro, que atingiu Faria, foi deflagrada em 27 de outubro de 2020 pela CGU, pelo MPF e pela Polícia Federal (PF).

Aos parlamentares, Wagner Rosário disse que não tinha essa informação. Omar Aziz, então, reagiu. “Peço desculpas por chamá-lo de prevaricador. O senhor pode não ter prevaricado, mas alguém prevaricou. Se a CGU tinha essa informação e o senhor está dizendo que não tinha essa informação [da ‘arquitetura da fraude’], o senhor tem obrigação, como ministro da CGU, de dizer qual o servidor tinha essa informação relacionada ao Roberto Dias. A grande questão é essa: é feita uma operação em outubro do ano passado e o senhor Roberto Dias só é exonerado após o Dominguetti ter dito que ele pediu propina de um dólar por vacina, seis, sete meses depois. O senhor jurou dizer a verdade, vai ter que me dizer quem tinha a informação do modus operandi do Bob no Ministério da Saúde”, disse.

“Esse documento está em posse da CGU desde outubro. O senhor não tinha conhecimento disso?”, questionou Randolfe. “Não, não tinha”, respondeu o ministro. “Mas isso estava disponibilizado”, rebateu o senador. “Existe um passo-a-passo do golpe, que termina com ‘empenha e contrata’”, seguiu o vice-presidente. “Mas isso aconteceu?”, interrompeu Rosário. “Não era dever da CGU comunicar o ministro da Saúde, o presidente da República?”, replicou o parkamentar. “Tudo o que está escrito aí aconteceu?”, insistiu o depoente. Randolfe emendou: “Eu é que estou lhe inquirindo. Qual foi a providência tomada contra esse agente criminoso chamado Roberto Ferreira Dias? Ele não foi afastado? Isso não se concretizou porque teve a Operação Falso Negativo, feito pelo governo local, no Distrito Federal, que afastou os criminosos. Nessas três pastas há documentos que envolvem Marconny, Karina Kufa, Ana Cristina Bolsonaro. O Ministério da Saúde foi comunicado? Alguma autoridade do governo brasileiro foi comunicada que essa pessoas estavam investidas em organização criminosa, fraudando o Ministério da Saúde?”, acrescentou o vice da CPI.

Como a Jovem Pan mostrou, a sessão desta terça-feira está sendo marcada por uma série de troca de farpas entre o ministro da CGU e os senadores. Em tom irônico, Rosário já chamou Omar Aziz de “doutor”, foi chamado de “petulante” pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE) e, antes do intervalo, disse que Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, tinha “a obrigação de falar a verdade”. O depoente foi repreendido pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que presidia a sessão interinamente. “Respeite essa Casa. Várias vezes o senhor já atacou. Por favor, baixe a bola. Senão, vou tomar providências”, afirmou o tucano.

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