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Operação da Polícia Federal contra a Precisa deve prorrogar os trabalhos da CPI da Covid-19

A operação da Polícia Federal (PF), que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Precisa Medicamentos na manhã desta sexta-feira, 17, deve prorrogar os trabalhos da CPI da Covid-19. A empresa está na mira da comissão porque foi a responsável por intermediar o contrato firmado entre o governo federal e o laboratório indiano Bharat Biotech para a compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin. Em razão das irregularidades, inicialmente denunciadas pelos irmãos Luis Miranda (DEM-DF), deputado federal, e Luis Ricardo Miranda, chefe de importação do Ministério da Saúde, o contrato foi rescindido pela União.

Como a Jovem Pan mostrou, a CPI quer ter acesso ao contrato original assinado entre a Bharat Bioetech e a Precisa Medicamentos para esclarecer detalhes da negociação, como a forma pela qual a empresa de Francisco Maximiano seria remunerada, por exemplo. Quando Max, como é conhecido o empresário, e Emanuela Medrades, diretora da companhia, depuseram no Senado, os dois afirmaram que não poderiam dar detalhes do acerto financeiro em razão da cláusula de confidencialidade. Os parlamentares também querem saber se a Precisa bancou viagens de autoridades do governo à Índia. A ação da PF deve, inclusive, mexer no calendário de depoimentos da próxima semana: uma das possibilidades cogitadas pelos senadores é ouvir o diretor institucional da Precisa, Danilo Trento, na quinta-feira, 23.

O plano inicial do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, era apresentar o relatório na quinta-feira, 23, para que o texto fosse votado entre os dias 29 e 30 de setembro. Em uma reunião no domingo, 12, o grupo majoritário da CPI definiu que o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco Filho seria o último a ser ouvido. No entanto, nos últimos dias, outras frentes de investigação entraram no radar dos senadores. Entre elas está a denúncia de que a Prevent Senior fez um acordo com o governo federal, no início da pandemia, para disseminar os medicamentos do chamado “kit Covid”, comprovadamente ineficazes para o tratamento da doença. O diretor da empresa, Pedro Batista Júnior, seria ouvido na quinta-feira, 16, mas não compareceu. Em nota, a operadora de saúde afirmou que o dirigente não teve “tempo hábil” de viabilizar sua ida ao Senado. Os membros do colegiado dizem que o depoimento de Batista é indispensável. De acordo com o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão, a oitiva ocorrerá na quarta-feira, 22.

A atuação de Marconny Albernaz de Faria, lobista da Precisa, também chamou a atenção dos senadores. Mensagens em posse da CPI indicam que o empresário, chamado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de “senhor de todos os lobbies”, participou da elaboração de uma “arquitetura da fraude” a uma licitação do Ministério da Saúde para compra de testes de Covid-19. Além disso, as mais de 310 mil páginas de conversas enviadas pelo Ministério Público Federal do Pará aos parlamentares mostram que Faria recorreu à advogada Karina Kufa, que defende o presidente Jair Bolsonaro, e Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa do mandatário do país, para tentar emplacar indicados em órgãos federais. A comissão parlamentar aprovou a convocação de Cristina, mas, por ora, sua oitiva está descartada.

Há duas semanas, os senadores prometeram “ir a fundo” nas investigações sobre a atuação da VTCLog, responsável pela logística de vacinas e insumos que tem contrato com o Ministério da Saúde – os membros da CPI suspeitam que a empresa está envolvida em um esquema de pagamento de propinas a agentes públicos. Segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a companhia movimentou, de maneira atípica, R$ 117 milhões nos dois últimos anos. O motoboy Ivanildo Gonçalves, por sua vez, um funcionário com salário em torno de R$ 2 mil, sacou aproximadamente R$ 4,7 milhões na boca de caixas eletrônicos, quase 5% de toda esta movimentação. Randolfe Rodrigues propôs a convocação de alguns dirigentes da VTCLog, entre eles, Raimundo Nonato Brasil, operador financeiro da empresa; Roberto e Tereza Sá, sócios majoritários; e Flávio Loureiro de Souza. Ao menos por enquanto, o caso foi escanteado. Ainda não há um consenso sobre a prorrogação dos trabalhos, mas a ideia ganha cada vez mais força internamente. Em tese, a comissão pode atuar até o início de novembro. É exatamente por isso que alguns senadores, como Alessandro Vieira (Cidadania-SE), defendem que o colegiado não encerre as investigações e deixe “pontas soltas”.

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