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Peru é mais um país que terá de reformar economia sem atrapalhar o crescimento

No Peru, a economia foi severamente afetada pelo coronavírus. Caiu 11,1% em 2020, muito por causa do fracasso em conter a pandemia. Na semana passada, o governo elevou de 68 mil para mais de 180 mil o número de mortos pela covid-19, tornando-se o país de maior mortalidade média no mundo. São mais de 500 vítimas por 100 mil habitantes. Mas também por falta de apoio à população mais pobre, que perdeu a renda na pandemia. Mesmo que boa parte das perdas vá ser recuperada neste ano (a previsão do governo é de alta de 10% do Produto Interno Bruto), parte da população culpou o modelo econômico. Convivem no Peru medidas bem mais favoráveis ao mercado do que na média da região. O país tem acordos de livre comércio com a China, Estados Unidos, União Europeia e Japão. Cresceu em média 6% a cada 12 meses desde o ano 2000.

Mas a crise revelou um mal-estar social. Algo parecido com o que vem sendo visto no Chile e na Colômbia, outros dois casos de economia liberal na América do Sul em que a divisão desigual dos ganhos levou a questionamentos pela esquerda do modelo econômico. Pesa ainda no caso peruano a corrupção dos últimos governos, que desmoronaram em meio a escândalos. O Peru teve quatro presidentes desde 2018. O quinto, salvo alguma virada na validade dos votos, é Pedro Castillo, vencedor de uma eleição disputada até o último voto com a direitista Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori . Professor, sem experiência de governo e com propostas extremistas de esquerda, como a intervenção na economia, ele assusta o mercado. A Bolsa de Valores de Lima chegou a cair 7% e o dólar atingiu um nível recorde quando o candidato do Peru Livre assumiu, na segunda-feira, a liderança na contagem de votos.

Para o banco JP Morgan, o futuro governo de esquerda poderá pressionar o Banco Central peruano a mudar políticas, e o país enfrentaria o risco de uma fuga de capitais. Mas também há prognósticos que veem pouco espaço para reviravoltas. Apesar do desgaste dos últimos anos, o modelo peruano é um sucesso econômico. Existe a percepção geral de que é preciso mudar, mas sem arriscar as conquistas. Mesmo as oscilações do mercado não são novas. Dez anos atrás, quando outro esquerdista, Ollanta Humala, chegou ao poder, a Bolsa peruana caiu 12%. Pedro Castillo buscou moderar posições no final da campanha e também durante a semana, tentando acalmar o mercado. Se for mesmo confirmado presidente pelas autoridades eleitorais, as próximas semanas e meses vão servir para mostrar como pretende gerir, de fato, a economia. É real a frustração em alguns países. E é normal que leve a reformas. Mas, no Peru, como no Chile, o desafio será, como prega o ditado, evitar jogar a água suja fora com o bebê junto.

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