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Setor aéreo ainda sofre com efeitos da pandemia e busca saídas para contornar a crise

O setor de aviação permanece com a retomada lenta. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, a malha doméstica encolheu, até o momento, em abril, 36,8%. As empresas aéreas nacionais registram uma média de 882 partidas diárias, número muito próximo ao que se verificava em setembro do ano passado, com 864 decolagens por dia. Esse índice é o equivalente a 36% da oferta regular. É o terceiro mês consecutivo de redução, após uma tímida recuperação que vinha ocorrendo gradualmente desde maio de 2020. A professora de Turismo da Universidade de São Paulo (USP) Mariana Aldrigui explica que a área continua sendo afetada tanto em relação as viagens a lazer, quanto nas de negócios. “O setor de turismo está extremamente abalado com a pandemia, especialmente o setor aéreo por causa da preocupação de muitas pessoas em viajar para destinos que eventualmente possam ser fechados e depois terem alguma dificuldade para retornar. Mas também tem uma questão de total cancelamento das viagens de negócios. Elas foram substituídas por reuniões virtuais e as empresas que passam por crises financeiras também cortam esse orçamento e não vão colocar os seus funcionários em risco”, analisa Mariana.

Os agentes envolvidos nesta atividade ainda se ajustam aos novos tempos. Dólar alto, combustível caro e elevada carga tributária são apenas alguns dos fatores que impactam fortemente as operações das empresas aéreas. Mesmo com toda a dificuldade, há quem arrisque entrar em um mercado onde cada dia o lucro é mais escasso. Em meio a um processo de recuperação judicial e no período da maior crise da história da aviação, o grupo Itapemirim, de transporte rodoviário, iniciou uma série de voos técnicos para poder operar uma companhia aérea. O analista de aviação Cláudio Magnavita diz que o momento pode ser de oportunidades. “É um momento de risco, mas também é um momento de oportunidade, já que você tem equações de facilidade de frota, facilidade de tripulação, mercado sendo reajustado com encolhimento das concorrências que nenhuma outra fase da história teve. E também nenhum momento teve a privatização de aeroportos como ocorreu agora, com alto ágio apostando que o mercado em si tem fé na retomada”, diz. O fato é que todo mundo não vê a hora de poder voltar a voar com tranquilidade, e encher os aeroportos como nos tempos antes da pandemia.

*Com informações do repórter Daniel Lian

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