Confiança da indústria recua em setembro e completa 21 meses no campo pessimista

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A confiança da indústria brasileira recuou em setembro e completou 21 meses consecutivos abaixo da linha que separa confiança de pessimismo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), caiu 1,4 ponto no mês, passando de 46,3 para 44,9 pontos.

O resultado foi divulgado em 14 de setembro de 2026 e indica que a percepção negativa continua disseminada entre empresários da indústria de transformação e da indústria extrativa. Pela metodologia do indicador, pontuações abaixo de 50 pontos representam falta de confiança. Assim, o resultado de setembro mantém o setor distante da zona de otimismo empresarial.

Percepção sobre a economia piora

A queda do ICEI foi acompanhada por uma deterioração nos dois grupos que formam o índice: as condições atuais e as expectativas para os próximos meses. O indicador de condições atuais recuou de 42,7 para 40,2 pontos, mostrando uma avaliação mais negativa sobre o ambiente enfrentado pelas empresas no momento da pesquisa.

Dentro desse componente, a avaliação sobre a economia brasileira caiu de 36,6 para 33 pontos. Já a percepção sobre a situação das próprias empresas passou de 45,7 para 43,8 pontos. Os números mostram que, embora a avaliação sobre os negócios esteja acima da percepção relativa ao cenário nacional, ambas permanecem abaixo da marca de 50 pontos.

O levantamento da CNI ouviu 1.186 empresas industriais entre 1º e 8 de setembro de 2026. A pesquisa procura captar como empresários avaliam o momento atual e as perspectivas para a atividade, oferecendo um sinal antecedente sobre decisões relacionadas à produção, contratação e investimentos.

Expectativas para os próximos meses também recuam

As perspectivas dos empresários industriais também perderam força em setembro. O índice de expectativas caiu de 48,1 para 47,2 pontos, permanecendo no campo pessimista. A expectativa para a economia brasileira recuou de 39,7 para 39,1 pontos, enquanto a projeção para as próprias empresas passou de 52,3 para 51,3 pontos.

A diferença entre os componentes indica que os empresários ainda demonstram uma percepção ligeiramente mais favorável sobre o futuro de suas próprias empresas do que sobre a economia do país. Mesmo assim, a redução mensal levou o indicador geral de expectativas para abaixo dos 50 pontos, enquanto a perspectiva sobre as empresas ficou apenas pouco acima dessa referência.

Em 25 de setembro, a CNI também publicou os resultados setoriais e regionais do ICEI. Segundo a entidade, houve predominância de resultados negativos entre setores, portes de empresas e regiões brasileiras. O recorte amplia a leitura do índice nacional e indica que o ambiente de pessimismo não ficou concentrado em apenas um segmento ou localização do país.

Indústria avança pouco na produção

O resultado do ICEI ocorre em um contexto de crescimento moderado da produção industrial. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, a produção cresceu 0,2% em julho de 2026, interrompendo dois meses consecutivos de queda. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 0,6%.

O avanço pontual da produção não foi suficiente para alterar o quadro de cautela captado pela pesquisa de confiança. Indicadores de expectativa não medem diretamente o volume produzido, mas ajudam a acompanhar a disposição das empresas para ampliar operações e assumir novos compromissos. Quando permanecem abaixo de 50 pontos por período prolongado, sinalizam maior prudência nas decisões empresariais.

Para a indústria brasileira, a sequência de 21 meses sem confiança reforça a importância do acompanhamento de fatores que afetam custos, demanda, crédito e competitividade. A evolução desses elementos poderá influenciar a trajetória da manufatura e da indústria extrativa nos próximos meses, especialmente em decisões de investimento e expansão da capacidade produtiva.

O ICEI de setembro, portanto, combina dois sinais: a atividade industrial registrou uma pequena recuperação em julho, mas a percepção dos empresários continuou negativa. A manutenção do índice em 44,9 pontos mostra que a melhora observada na produção ainda não se traduziu em confiança disseminada entre as empresas do setor.

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