A impressão sustentável deixou de ser uma discussão restrita ao tipo de papel utilizado e passou a envolver decisões tomadas antes, durante e depois da produção. Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, destaca que reduzir desperdícios exige observar o processo como um todo, desde o planejamento da tiragem até a escolha dos materiais e o uso adequado dos recursos. Nesse contexto, decisões aparentemente simples podem contribuir para evitar perdas de papel, tinta, energia e tempo.
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Por que o desperdício começa antes da impressão?
Uma parte das perdas pode ser evitada ainda na preparação do trabalho. Definir corretamente a quantidade necessária, conferir as dimensões da peça e organizar o arquivo de acordo com o formato de impressão ajudam a reduzir sobras e a necessidade de refazer materiais. Quanto mais precisa for essa etapa, menor tende a ser o volume de recursos utilizado sem necessidade. Um planejamento cuidadoso também permite identificar antecipadamente possíveis ajustes que poderiam gerar novas impressões.
A tiragem também merece atenção, pontua Dalmi Defanti. Produzir uma quantidade muito superior à demanda pode gerar estoque parado, especialmente quando o material contém informações que podem ficar desatualizadas. Por outro lado, uma quantidade insuficiente pode exigir uma nova produção. O planejamento precisa considerar a finalidade do material e sua possibilidade de reutilização. Avaliar esses fatores ajuda a encontrar uma quantidade mais compatível com o uso previsto e evita excessos que dificilmente terão aproveitamento.
Esse cuidado transforma a sustentabilidade em uma questão também operacional. Antes de pensar apenas no que fazer com os resíduos, é possível trabalhar para que uma parcela deles nem sequer seja gerada. Assim, reduzir desperdícios passa a fazer parte das decisões de produção, e não apenas das medidas adotadas depois que o material já foi descartado.
Como a escolha do papel interfere no processo?
De acordo com Dalmi Defanti, o papel é um dos elementos mais evidentes quando se fala em desperdício na produção gráfica. Entretanto, escolher uma alternativa considerada sustentável não significa simplesmente substituir um material por outro. É necessário avaliar gramatura, formato, finalidade e quantidade para encontrar uma opção adequada ao projeto. Essa análise evita escolhas inadequadas que podem comprometer tanto o resultado da peça quanto o aproveitamento do material.

O aproveitamento das folhas também pode fazer diferença. O modo como uma arte é organizada para ocupar o papel influencia a quantidade de material necessária e pode determinar o volume de sobras. Por isso, medidas bem planejadas e uma disposição eficiente das peças ajudam a aproveitar melhor cada folha. Esse planejamento pode ser feito ainda na etapa de preparação do arquivo, permitindo utilizar o espaço disponível de maneira mais eficiente.
A personalização pode ajudar a evitar excessos?
A possibilidade de produzir quantidades menores permite aproximar a produção da necessidade real. Isso pode ser útil em materiais que possuem informações específicas, campanhas temporárias ou conteúdos que precisam ser atualizados com frequência. Dessa maneira, a empresa consegue ajustar a produção de acordo com a finalidade do material e evitar volumes que não tenham utilização definida.
Em vez de manter grandes volumes armazenados, empresas podem avaliar melhor quando e quanto produzir. Essa lógica reduz o risco de materiais perderem sua utilidade antes de serem utilizados. Também permite testar uma determinada peça antes de ampliar a quantidade, dependendo das características do projeto. Esse modelo ainda facilita mudanças entre uma produção e outra quando há alterações nas informações ou na estratégia de comunicação.
Dalmi Defanti Cuiabá informa que a impressão digital contribui para esse tipo de flexibilidade, principalmente em trabalhos que exigem diferentes versões ou tiragens menores. A tecnologia, contudo, não substitui o planejamento. Para que a produção sob demanda realmente reduza perdas, é necessário relacionar quantidade, finalidade e prazo de utilização. No fim, a flexibilidade da impressão passa a ser utilizada como parte de uma estratégia de produção mais precisa e não apenas como uma possibilidade técnica.