Temperatura corporal: por que o idoso sente frio quando todos estão com calor?

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez
Yuri Silva Portela

Yuri Silva Portela, doutor pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, incorpora a avaliação da termorregulação à sua prática por entender que esse sistema revela dimensões importantes da saúde do idoso. Isso porque existe uma queixa comum entre idosos que raramente recebe atenção clínica adequada: a sensação persistente de frio, mesmo em ambientes que outras pessoas consideram confortáveis. Esse fenômeno não é capricho. Mas o resultado de mudanças fisiológicas reais no sistema de termorregulação que acompanham o envelhecimento e têm implicações clínicas que vão além do conforto térmico. 

A partir deste artigo, você vai entender por que o idoso sente mais frio e o que isso pode indicar. Acompanhe!

O que acontece com o sistema de termorregulação no envelhecimento?

O corpo humano mantém sua temperatura interna por meio de mecanismos que envolvem vasodilatação, sudorese e ajustes metabólicos. Com o envelhecimento, todos esses mecanismos perdem eficiência: a capacidade de gerar calor diminui junto com a redução da massa muscular e o tecido subcutâneo, que funciona como isolante térmico natural, se reduz. O resultado é um organismo que perde calor com mais facilidade e tem menos recursos para recompor essa perda.

Yuri Silva Portela ressalta que a sensação crônica de frio merece investigação quando é persistente ou representa mudança em relação ao padrão anterior do paciente. Até porque, condições como hipotireoidismo, anemia, desnutrição proteica, insuficiência cardíaca e doenças vasculares periféricas comprometem a termorregulação e frequentemente se manifestam inicialmente como intolerância ao frio antes de gerarem sintomas mais específicos.

O impacto vai além do desconforto. A realidade é que o idoso que sente frio cronicamente tende a se movimentar menos e a reduzir atividades físicas para evitar a exposição térmica. Diante disso, esse comportamento tem consequências sobre a mobilidade e a socialização que se acumulam silenciosamente.

Quando a sensação de frio indica algo mais sério?

A intolerância ao frio que surge de forma nova ou se intensifica num idoso que antes tolerava bem as variações de temperatura justifica avaliação clínica. O hipotireoidismo é uma das causas mais comuns e facilmente tratáveis, mas frequentemente permanece sem diagnóstico porque seus sintomas são normalizados como parte do envelhecimento natural.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, a anemia também compromete a termorregulação ao reduzir o transporte de oxigênio para os tecidos periféricos. Desse modo, o idoso anêmico frequentemente relata frio nas extremidades, mesmo em ambientes aquecidos, e esse sintoma, investigado adequadamente, pode levar a diagnósticos que melhoram significativamente sua qualidade de vida com tratamento relativamente simples.

Como o Humaniza Sertão aborda essa questão nas comunidades?

Nas ações mensais do Humaniza Sertão nas comunidades do sertão de Quixadá, queixas como sensação persistente de frio e extremidades frias fazem parte da triagem clínica. Muitos idosos atendidos nunca tinham associado essa queixa cotidiana à possibilidade de uma condição tratável subjacente.

Como enfatiza o fundador do projeto social Humaniza Sertão, o doutor Yuri Silva Portela, orientar as famílias sobre quando a sensação de frio é sintoma que merece avaliação médica integra o trabalho educativo do projeto. Essa informação simples pode ser o gatilho para um diagnóstico que muda o curso do envelhecimento de alguém.

O frio do idoso tem temperatura clínica

O doutor Yuri Silva Portela acredita que nenhuma queixa do idoso é pequena demais para ser investigada. Se o idoso que você ama está sempre com frio enquanto todos estão confortáveis, leve essa informação ao médico. Ela pode abrir uma investigação que transforma sua qualidade de vida.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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